Peraí
17 — Mais um do meu livro Punkpoemas (Nossa Cultura, 2019). Poema em prosa, prosa poética, poesia narrativa… chame como quiser:
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Peraí
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Na aula, não entendeu nada
Porque não prestou atenção
Tentava se concentrar, mas
De repente
Quando percebia
Já estava voando de novo
Achou que tinha algum problema
Lembrou de uma palestra
A droga faz perder a concentração
Mas faz tempo que não toma nada
Mal sai de casa
A última vez foi na festa do Kill
Junto com vinho barato
Mas nem tinha sentido nada
Não bateu
Foi no dia em que a Aninha
E a Fifi se pegaram na porrada
Por causa do Jéferson
Que saiu com a Andréa
Filho da Puta
Como é que pode o cara
E ela, a Andréa, falava que tinha raiva dele
Que era canalha, oferecido
E eu ali escutando
Dando uma de amigo
Um dia até abracei ela
Que tava mal com a bebida
Vomitou um montão
E eu ali, escutando
Ajudando
Ajudei ela a se limpar
Levei pra casa
Ainda dei beijo
Meio com nojo daquela boca vomitada
No dia seguinte, ela nem falou nada
Nem agradeceu
Só disse pra gente ir pra festa do Kill
Sábado
Que ia ser legal
Fui pegar pra levar
Andei um montão
Chegamos lá
Olhou o Jéferson, olhou pra mim
Disse peraí que já volto…
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