Roots
Punkpoesia
15 — Mais uma poesia do meu livro Punkpoemas (Nossa Cultura, 2015). Uma historinha punk entre as várias que compõem o livro e quem viveu essa fase em Curitiba dos anos 80/90 vai identificar o local:
Roots
.
Ele descia a Visconde para ir do
92 para o Lino
quando pisou na merda
Vai ficar fedendo pra caralho
porque entrou nas fendas do coturno
não adianta esfregar na grama
se bem que melhora um pouco
Procurou um pedaço de pau
Sentou no chão para limpar a sola
Foi então que ele se sentiu muito sozinho
Lembrou da cara de Rutinha
— que ele chamava de Roots —
caindo na sua frente e
o sangue jorrar da boca
menos de um segundo depois
de se arrebentar no chão
Passou os dedos no cabelo dela
que sorriu com dentes vermelhos
levantou como se não tivesse acontecido nada
Recomeçaram a pogar
Mas aí o Jorjão chegou
e ela pulou no pescoço dele
Acabou-se a dança
Restou a merda
.

